Agência, freelancer ou fazer o site sozinho: prós e contras
Fazer o site sozinho compensa quando o orçamento é muito curto e o dono tem tempo e gosto para aprender. Um freelancer serve projetos simples, com alguém de confiança e um contrato claro. Uma agência faz sentido quando o negócio quer delegar o trabalho, ter continuidade e uma só entidade responsável. Em qualquer caso, o domínio e os acessos devem ficar em nome do negócio e a proposta deve dizer por escrito o que está incluído.
A resposta curta
As três opções funcionam, e as três falham quando são escolhidas pelos motivos errados. Fazer sozinho falha quando o dono não tem tempo e o site fica a meio. O freelancer falha quando o projeto depende de uma pessoa que deixa de responder. A agência falha quando a proposta é vaga e o cliente paga coisas de que não precisava.
Antes de escolher, vale a pena responder a quatro perguntas: quantas horas por semana pode dedicar ao site, quem vai escrever os textos, quem resolve um problema quando o site deixar de funcionar, e em nome de quem ficam o domínio e as contas. A tabela abaixo resume como cada opção responde a estas perguntas.
| Fazer sozinho | Freelancer | Agência | |
|---|---|---|---|
| Tempo do dono | Muito: aprender, montar, escrever e manter | Médio: informação, revisões e aprovação | Baixo a médio: informação de base e aprovação |
| Risco principal | O site ficar a meio ou mal configurado | Depender de uma só pessoa | Proposta vaga ou serviços desnecessários |
| Continuidade | Depende só do dono | Depende da disponibilidade de uma pessoa | Depende do contrato de manutenção |
| Quem escreve os textos | O dono | Combinado caso a caso | Combinado na proposta |
| Fatura | Não se aplica | Deve emitir fatura pelo serviço | Deve emitir fatura pelo serviço |
| Domínio e acessos | Ficam com o dono, se registar em seu nome | Devem ficar em nome do negócio, por contrato | Devem ficar em nome do negócio, por contrato |
Fazer sozinho: quando faz sentido
Os construtores de sites tornaram possível ter um site apresentável sem saber programar. Para um negócio que está a começar, com orçamento muito curto, é muitas vezes a escolha certa. O dono aprende como tudo funciona, muda o que quer quando quer e não depende de ninguém.
O preço é o tempo. Escolher o modelo é a parte fácil; o que leva horas é escrever textos que expliquem bem o serviço, tratar fotografias, configurar o domínio, o email, os formulários, os pagamentos e as páginas legais. E o trabalho não acaba no dia em que o site fica no ar: há textos a atualizar, preços a mudar e problemas a resolver.
Faz sentido fazer sozinho quando o dono gosta de mexer nestas coisas, tem horas livres e precisa de um site simples. Faz menos sentido quando cada hora ao computador é uma hora que não está a atender clientes.
Uma boa forma de decidir é fazer um teste curto: reservar um fim de semana para montar a página inicial e a página de serviços. Se no fim estiver satisfeito com o resultado e tiver gostado do processo, é provável que consiga continuar sozinho. Se ficou a meio, ou se o resultado não transmite a confiança que o negócio merece, já tem a resposta.
Freelancer: flexível, mas depende de uma pessoa
Um bom freelancer pode fazer um trabalho excelente, com contacto direto e sem intermediários. Para projetos simples, como um site de apresentação com poucas páginas, é muitas vezes uma solução equilibrada.
O ponto fraco é a continuidade. Se o freelancer adoecer, mudar de profissão ou tiver demasiados clientes, o negócio pode ficar sem ninguém que conheça o site. Por isso, com um freelancer, é ainda mais importante ter tudo por escrito e ter acesso de administrador a todas as contas, para que outra pessoa possa pegar no trabalho se for preciso.
Antes de avançar, peça exemplos de trabalhos anteriores, fale com um ou dois clientes e combine o que acontece depois da entrega: quem faz as atualizações, em que prazo responde e quanto custa.
Combine também, por escrito, o que acontece se o projeto parar a meio: o que já foi pago, o que fica entregue e em que estado. Um acordo simples, com as fases do trabalho e o valor de cada uma, protege as duas partes e evita discussões mais tarde.
Agência: menos tempo do dono, mais compromisso formal
Uma agência junta várias competências: design, desenvolvimento, textos, SEO e configuração técnica. A vantagem para o dono é ter uma só entidade responsável e uma equipa que não depende de uma única pessoa. Isso pesa sobretudo em lojas online, sistemas de marcações e sites que vão crescer.
A desvantagem possível é pagar por mais do que precisa. Uma agência séria explica o que propõe e porquê, e aceita deixar de fora o que não faz sentido para o negócio. Desconfie de pacotes que juntam muitos serviços sem explicar para que serve cada um.
Na Ativa Local, por exemplo, o fundador acompanha cada projeto e a proposta é feita à medida, gratuita e fechada antes de começar. Seja qual for a agência, o importante é saber exatamente o que vai receber.
Quem escreve os textos e o que se pode esperar do SEO
Os textos são a parte que mais atrasa um site, e a que mais influencia se os clientes percebem o que o negócio faz. Combine desde o início quem os escreve. Mesmo quando a agência ou o freelancer escrevem, o dono tem de dar a informação de base e rever tudo, porque é quem conhece o serviço, os preços e as dúvidas dos clientes.
No SEO, o mais importante é ser realista. A Google afirma que ninguém pode garantir a primeira posição nos resultados e aconselha desconfiança perante quem promete posições garantidas ou diz ter uma relação especial com a empresa. A mesma página sugere perguntas a fazer a quem presta este serviço:
- que exemplos de trabalho anterior pode mostrar;
- se segue as diretrizes de pesquisa da Google;
- que resultados e prazos devem ser esperados, e como se mede o sucesso;
- se vai explicar todas as alterações feitas ao site.
Fatura, NIF e garantia: o que pedir
Quem presta o serviço tem de passar fatura. O Código do IVA obriga a emitir uma fatura por cada prestação de serviços, independentemente de quem é o cliente e ainda que este não a peça. Peça que a fatura tenha o NIF da empresa, para a poder usar na contabilidade, e desconfie de quem propõe trabalhar sem fatura.
Quanto à garantia, o que conta é o que fica escrito. Antes de aceitar uma proposta, confirme durante quanto tempo os erros detetados depois da entrega são corrigidos sem custo, o que se considera um erro e o que já é um pedido novo. Esta regra vale para as três opções: quem faz sozinho não tem a quem reclamar, por isso deve guardar cópias de segurança desde o primeiro dia.
Quem fica dono do domínio e dos acessos
Este é o ponto que mais problemas causa quando uma relação com um fornecedor termina. Nas regras de registo do .pt publicadas pelo DNS.PT, em vigor desde 1 de julho de 2026, o titular é a pessoa singular ou coletiva que assume a qualidade de titular do nome de domínio, e a entidade gestora é quem trata do processo de registo e manutenção junto do .PT. Ou seja: quem trata do registo não tem de ser o titular, e o titular deve ser o negócio.
O mesmo vale para as restantes contas. O negócio deve ter acesso de administrador ao alojamento, ao painel do site, ao prestador de pagamentos, ao email e às ferramentas da Google. Se um dia mudar de fornecedor, é isso que permite continuar sem recomeçar do zero. Guarde as palavras-passe num sítio seguro, fora do email de quem fez o site.
Como avaliar uma proposta
Uma proposta boa responde por escrito às perguntas que, de outra forma, só aparecem quando há um problema. Antes de assinar, confirme que a proposta diz:
Ao comparar propostas, compare o mesmo trabalho. Uma proposta mais barata que não inclui textos, configuração do domínio ou manutenção pode sair mais cara no fim, quando esses trabalhos tiverem de ser pagos à parte. E uma proposta mais cara só se justifica se explicar o que entrega a mais e porque é que o negócio precisa disso.
Por fim, faça perguntas e repare nas respostas. Quem explica com clareza, sem jargão, e admite quando uma funcionalidade não faz falta, costuma ser quem vai estar disponível quando surgir um problema depois da entrega.
- o que está incluído, página a página ou funcionalidade a funcionalidade;
- quem escreve os textos e quem fornece as fotografias;
- o valor total e o que se paga todos os meses ou todos os anos;
- em nome de quem ficam o domínio, o alojamento e as restantes contas;
- o prazo de entrega e o que acontece se houver atrasos;
- durante quanto tempo os erros são corrigidos sem custo;
- como funciona a manutenção depois da entrega e quanto custa.
Perguntas frequentes
Fazer o site sozinho é má ideia?
Não. Para um negócio a começar, com pouco orçamento e um dono que gosta de aprender, um construtor de sites é muitas vezes a escolha certa. O que convém é contar com o tempo real que vai gastar, registar o domínio em nome do negócio e guardar cópias de segurança desde o início.
O freelancer tem de passar fatura?
Sim. O Código do IVA obriga a emitir uma fatura por cada prestação de serviços, independentemente de quem é o cliente e mesmo que o cliente não a peça. Peça a fatura com o NIF da empresa e combine o valor e o que inclui antes de o trabalho começar.
Quem deve ficar como titular do domínio?
O negócio. Nas regras do .pt, o titular é a pessoa singular ou coletiva que assume a qualidade de titular do nome de domínio, e a gestão do registo pode ficar a cargo de uma entidade gestora. A agência ou o freelancer podem tratar do processo, mas o titular deve ser a empresa ou o empresário.
Alguém pode garantir o primeiro lugar no Google?
Não. A Google afirma que ninguém pode garantir a primeira posição nos resultados e pede cuidado com quem promete posições garantidas ou diz ter uma relação especial com a empresa. Uma proposta séria explica o trabalho que vai ser feito e como se mede o resultado.
Fontes
- Código do IVA, artigo 29.º (Portal das Finanças)
- Regras de Registo de .pt em vigor desde 1 de julho de 2026 (DNS.PT)
- Google Search Central, Precisa de um SEO?
Artigo revisto por Nuno Martins. As referências legais e técnicas foram confirmadas nas fontes acima a 11 de outubro de 2026. Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico ou contabilístico.
Fundador da Ativa Local. Acompanha cada projeto do primeiro contacto à entrega: ouve o negócio, prepara a proposta e garante que o site fica pronto a trazer clientes. Escreve sobre sites, Google e as obrigações legais que os pequenos negócios portugueses têm online.