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Agência, freelancer ou fazer o site sozinho: prós e contras

Nuno Martins
Nuno Martins · 7 min de leitura
Em resumo

Fazer o site sozinho compensa quando o orçamento é muito curto e o dono tem tempo e gosto para aprender. Um freelancer serve projetos simples, com alguém de confiança e um contrato claro. Uma agência faz sentido quando o negócio quer delegar o trabalho, ter continuidade e uma só entidade responsável. Em qualquer caso, o domínio e os acessos devem ficar em nome do negócio e a proposta deve dizer por escrito o que está incluído.

A resposta curta

As três opções funcionam, e as três falham quando são escolhidas pelos motivos errados. Fazer sozinho falha quando o dono não tem tempo e o site fica a meio. O freelancer falha quando o projeto depende de uma pessoa que deixa de responder. A agência falha quando a proposta é vaga e o cliente paga coisas de que não precisava.

Antes de escolher, vale a pena responder a quatro perguntas: quantas horas por semana pode dedicar ao site, quem vai escrever os textos, quem resolve um problema quando o site deixar de funcionar, e em nome de quem ficam o domínio e as contas. A tabela abaixo resume como cada opção responde a estas perguntas.

Fazer sozinho, freelancer ou agência
Fazer sozinhoFreelancerAgência
Tempo do donoMuito: aprender, montar, escrever e manterMédio: informação, revisões e aprovaçãoBaixo a médio: informação de base e aprovação
Risco principalO site ficar a meio ou mal configuradoDepender de uma só pessoaProposta vaga ou serviços desnecessários
ContinuidadeDepende só do donoDepende da disponibilidade de uma pessoaDepende do contrato de manutenção
Quem escreve os textosO donoCombinado caso a casoCombinado na proposta
FaturaNão se aplicaDeve emitir fatura pelo serviçoDeve emitir fatura pelo serviço
Domínio e acessosFicam com o dono, se registar em seu nomeDevem ficar em nome do negócio, por contratoDevem ficar em nome do negócio, por contrato

Fazer sozinho: quando faz sentido

Os construtores de sites tornaram possível ter um site apresentável sem saber programar. Para um negócio que está a começar, com orçamento muito curto, é muitas vezes a escolha certa. O dono aprende como tudo funciona, muda o que quer quando quer e não depende de ninguém.

O preço é o tempo. Escolher o modelo é a parte fácil; o que leva horas é escrever textos que expliquem bem o serviço, tratar fotografias, configurar o domínio, o email, os formulários, os pagamentos e as páginas legais. E o trabalho não acaba no dia em que o site fica no ar: há textos a atualizar, preços a mudar e problemas a resolver.

Faz sentido fazer sozinho quando o dono gosta de mexer nestas coisas, tem horas livres e precisa de um site simples. Faz menos sentido quando cada hora ao computador é uma hora que não está a atender clientes.

Uma boa forma de decidir é fazer um teste curto: reservar um fim de semana para montar a página inicial e a página de serviços. Se no fim estiver satisfeito com o resultado e tiver gostado do processo, é provável que consiga continuar sozinho. Se ficou a meio, ou se o resultado não transmite a confiança que o negócio merece, já tem a resposta.

Freelancer: flexível, mas depende de uma pessoa

Um bom freelancer pode fazer um trabalho excelente, com contacto direto e sem intermediários. Para projetos simples, como um site de apresentação com poucas páginas, é muitas vezes uma solução equilibrada.

O ponto fraco é a continuidade. Se o freelancer adoecer, mudar de profissão ou tiver demasiados clientes, o negócio pode ficar sem ninguém que conheça o site. Por isso, com um freelancer, é ainda mais importante ter tudo por escrito e ter acesso de administrador a todas as contas, para que outra pessoa possa pegar no trabalho se for preciso.

Antes de avançar, peça exemplos de trabalhos anteriores, fale com um ou dois clientes e combine o que acontece depois da entrega: quem faz as atualizações, em que prazo responde e quanto custa.

Combine também, por escrito, o que acontece se o projeto parar a meio: o que já foi pago, o que fica entregue e em que estado. Um acordo simples, com as fases do trabalho e o valor de cada uma, protege as duas partes e evita discussões mais tarde.

Agência: menos tempo do dono, mais compromisso formal

Uma agência junta várias competências: design, desenvolvimento, textos, SEO e configuração técnica. A vantagem para o dono é ter uma só entidade responsável e uma equipa que não depende de uma única pessoa. Isso pesa sobretudo em lojas online, sistemas de marcações e sites que vão crescer.

A desvantagem possível é pagar por mais do que precisa. Uma agência séria explica o que propõe e porquê, e aceita deixar de fora o que não faz sentido para o negócio. Desconfie de pacotes que juntam muitos serviços sem explicar para que serve cada um.

Na Ativa Local, por exemplo, o fundador acompanha cada projeto e a proposta é feita à medida, gratuita e fechada antes de começar. Seja qual for a agência, o importante é saber exatamente o que vai receber.

Quem escreve os textos e o que se pode esperar do SEO

Os textos são a parte que mais atrasa um site, e a que mais influencia se os clientes percebem o que o negócio faz. Combine desde o início quem os escreve. Mesmo quando a agência ou o freelancer escrevem, o dono tem de dar a informação de base e rever tudo, porque é quem conhece o serviço, os preços e as dúvidas dos clientes.

No SEO, o mais importante é ser realista. A Google afirma que ninguém pode garantir a primeira posição nos resultados e aconselha desconfiança perante quem promete posições garantidas ou diz ter uma relação especial com a empresa. A mesma página sugere perguntas a fazer a quem presta este serviço:

  • que exemplos de trabalho anterior pode mostrar;
  • se segue as diretrizes de pesquisa da Google;
  • que resultados e prazos devem ser esperados, e como se mede o sucesso;
  • se vai explicar todas as alterações feitas ao site.

Fatura, NIF e garantia: o que pedir

Quem presta o serviço tem de passar fatura. O Código do IVA obriga a emitir uma fatura por cada prestação de serviços, independentemente de quem é o cliente e ainda que este não a peça. Peça que a fatura tenha o NIF da empresa, para a poder usar na contabilidade, e desconfie de quem propõe trabalhar sem fatura.

Quanto à garantia, o que conta é o que fica escrito. Antes de aceitar uma proposta, confirme durante quanto tempo os erros detetados depois da entrega são corrigidos sem custo, o que se considera um erro e o que já é um pedido novo. Esta regra vale para as três opções: quem faz sozinho não tem a quem reclamar, por isso deve guardar cópias de segurança desde o primeiro dia.

Quem fica dono do domínio e dos acessos

Este é o ponto que mais problemas causa quando uma relação com um fornecedor termina. Nas regras de registo do .pt publicadas pelo DNS.PT, em vigor desde 1 de julho de 2026, o titular é a pessoa singular ou coletiva que assume a qualidade de titular do nome de domínio, e a entidade gestora é quem trata do processo de registo e manutenção junto do .PT. Ou seja: quem trata do registo não tem de ser o titular, e o titular deve ser o negócio.

O mesmo vale para as restantes contas. O negócio deve ter acesso de administrador ao alojamento, ao painel do site, ao prestador de pagamentos, ao email e às ferramentas da Google. Se um dia mudar de fornecedor, é isso que permite continuar sem recomeçar do zero. Guarde as palavras-passe num sítio seguro, fora do email de quem fez o site.

Como avaliar uma proposta

Uma proposta boa responde por escrito às perguntas que, de outra forma, só aparecem quando há um problema. Antes de assinar, confirme que a proposta diz:

Ao comparar propostas, compare o mesmo trabalho. Uma proposta mais barata que não inclui textos, configuração do domínio ou manutenção pode sair mais cara no fim, quando esses trabalhos tiverem de ser pagos à parte. E uma proposta mais cara só se justifica se explicar o que entrega a mais e porque é que o negócio precisa disso.

Por fim, faça perguntas e repare nas respostas. Quem explica com clareza, sem jargão, e admite quando uma funcionalidade não faz falta, costuma ser quem vai estar disponível quando surgir um problema depois da entrega.

  • o que está incluído, página a página ou funcionalidade a funcionalidade;
  • quem escreve os textos e quem fornece as fotografias;
  • o valor total e o que se paga todos os meses ou todos os anos;
  • em nome de quem ficam o domínio, o alojamento e as restantes contas;
  • o prazo de entrega e o que acontece se houver atrasos;
  • durante quanto tempo os erros são corrigidos sem custo;
  • como funciona a manutenção depois da entrega e quanto custa.

Perguntas frequentes

Fazer o site sozinho é má ideia?

Não. Para um negócio a começar, com pouco orçamento e um dono que gosta de aprender, um construtor de sites é muitas vezes a escolha certa. O que convém é contar com o tempo real que vai gastar, registar o domínio em nome do negócio e guardar cópias de segurança desde o início.

O freelancer tem de passar fatura?

Sim. O Código do IVA obriga a emitir uma fatura por cada prestação de serviços, independentemente de quem é o cliente e mesmo que o cliente não a peça. Peça a fatura com o NIF da empresa e combine o valor e o que inclui antes de o trabalho começar.

Quem deve ficar como titular do domínio?

O negócio. Nas regras do .pt, o titular é a pessoa singular ou coletiva que assume a qualidade de titular do nome de domínio, e a gestão do registo pode ficar a cargo de uma entidade gestora. A agência ou o freelancer podem tratar do processo, mas o titular deve ser a empresa ou o empresário.

Alguém pode garantir o primeiro lugar no Google?

Não. A Google afirma que ninguém pode garantir a primeira posição nos resultados e pede cuidado com quem promete posições garantidas ou diz ter uma relação especial com a empresa. Uma proposta séria explica o trabalho que vai ser feito e como se mede o resultado.

Fontes

Artigo revisto por Nuno Martins. As referências legais e técnicas foram confirmadas nas fontes acima a 11 de outubro de 2026. Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico ou contabilístico.

Nuno Martins
Nuno Martins · 7 min de leitura

Fundador da Ativa Local. Acompanha cada projeto do primeiro contacto à entrega: ouve o negócio, prepara a proposta e garante que o site fica pronto a trazer clientes. Escreve sobre sites, Google e as obrigações legais que os pequenos negócios portugueses têm online.

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